Un Giardin sul Balcon

"Non ghe xe erba che la varda in sù che non la gabbia la so virtù" (da tradição vêneta)

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Risotto com vagens, ervilhas e manjericão

Há noites em que tudo o que se quer é um prato de arroz quentinho. No freezer, eu tinha: um pacote de ervilha congelada, um pacote de vagens branqueadas e um brodo maravilhoso, feito com uma bandeja de sopão, daquelas vendidas no super, de mil verduras picadas. A partir daí, foi simples, como toda comfort food deve ser: saltear a cebola na manteiga, fritar o arroz, acrescentar o vinho, deixar evaporar e, a partir daí, uma concha de caldo fervente por vez, mexendo sempre, durante dez minutos. Acrescentar as verduras, sal e pimenta e mais caldo, até o arroz ficar al dente. Apagar o fogo, mais uma colher de manteiga, mexer bem e servir, enfeitando com as folhas recém-colhidas de manjericão grecco a palla. Simples e eficaz.

PS: A receita em que me baseei mandava acrescentar raspas de limão, mas eu usei um pouco do meu pó de casca de lima e ficou muito legal. Só tem de cuidar, pois é muito mais forte que o de laranja e pode ficar enjoativo.

domingo, 5 de junho de 2011

Inspiração Oriental

Sábado à noite, assisti um filme em que a Brittany Murphy tenta aprender a fazer lámen, um tipo de minestrone japonês. O filme, The Ramen Girl (esqueci a obviedade que usaram como título na tradução), é uma mistura engraçada de Como Água Para Chocolate (o caldo de Abby faz as pessoas chorarem, como o banquete de Tita) com Tampopo - os brutos também comem spaghetti (um filme japonês nonsense). Abby é uma borderline típica: cruza o mundo atrás de um cara que recém conheceu, não dura mais do que três meses em um emprego, gasta as teclas do celular de tanto importunar o amado, aparece de toalha na rua, no meio de uma discussão. Nos primeiros minutos do filme, empatizamos com o cara que a abandona. A convivência com os japoneses logo exerce efeito calmante sobre ela. Abby aprende a ter paciência, a ser meticulosa, humilde e, o mais importante, admitir a existência do outro como algo independente, separado de seu próprio ser. O dono do restaurante, o mais improvável dos professores, vive processo semelhante: precisa aceitar o desejo do filho de seguir carreira longe do estabelecimento familiar. É interessante assistir sua evolução: da raiva autodirigida, na forma de um beber excessivo, para a raiva dirigida a Abby, que sofre todas as humilhações possíveis e, no fim, à resignação e ao surgimento de um novo caminho. É claro que tantos caldos, algas, cogumelos e legumes bem cortados açularam meu apetite. Enquanto via o filme, cortei repolho, cenoura e cebola, iscas de carne; busquei aipo, cebolinha e acelga no jardim, descongelei umas vagens e salteei tudo no óleo, por ordem de tempo de cozimento, com sal e molho de soja. Não era lámen, mas matou a vontade e manteve a proposta low-carb do meu fim de semana.  

quarta-feira, 23 de março de 2011

Levisticum officinale


Hoje, eu jantei Pendalons, que é um prato friulano à base de verduras. Primeiro, descasquei e cozinhei um pouco, em água salgada, três batatas em cubos. Enquanto isso, lavei, tirei os talos e os fios de um punhado de vagens fininhas. Assim que escorri as batatas, usei a mesma panela para cozinhar as vagens, em nova água salgada. Enquanto isso acontecia, descasquei e piquei uma cebola pequena. Quando escorri a vagem, usei a mesma panela para refogar a cebola em azeite. Com a cebola dourada, reintroduzi as batatas e vagens, um pouco mais de azeite e salteei tudo, enquanto picava o levístico fresco. Por fim, joguei a erva picada por cima da mistura e uma pitada de pimenta fresca. Para mim, esse prato é a essência de jantar sozinha: gostoso, suja pouca louça e fica pronto ligeiro. Será que alguém gosta de cozinhar para uma pessoa só?
Quanto ao levístico, é um parente persa do aipo, que já foi muito famoso nos jardins da Idade Média e um dos preferidos dos romanos, que o empregavam para os mais variados fins, de conquistas amorosas a picadas peçonhentas, passando por prosaicas dores de garganta. Embora sua indicação clássica seja como tempero de sopas, eu gosto de usá-lo em legumes, omeletes e frango. O sabor remete ao aipo, mas o aroma é penetrante e único e se desprende por inteiro com o calor.