Un Giardin sul Balcon

"Non ghe xe erba che la varda in sù che non la gabbia la so virtù" (da tradição vêneta)

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sábado, 24 de setembro de 2011

Erbazzone

Saudando o início da estação das flores (e das podas), resolvi assar minha versão do erbazzone hoje. O erbazzone é uma torta salgada de espinafre, originária da região da Emilia-Romagna e típica dos piqueniques de páscoa (na primavera do hemisfério norte). Usei uma combinação de ervas: acelga, espinafre, azedinha, folhas de beterraba, borragem, ora-pro-nobis e bok-choy, todas vindas do jardim, com exceção da última, já devidamente semeada. A massa é feita com farinha, água, sal e uma colher de banha. É só misturar e sovar até ficar elástica e não grudenta. Dividida em duas partes, é aberta com o rolo até formar um disco que cubra a forma com sobras e outro disco que sirva de tampa. O recheio é composto de cebola picadinha, refogada na manteiga com bacon e presunto em cubinhos. Com essa mistura bem dourada, acrescentam-se as verduras picadas, já desinfetadas em hipoclorito, enxaguadas e centrifugadas. Refogar por uns três minutos (eu não acrescento água aos espinafres nunca) e desligar o fogo, acrescentando bastante queijo tipo parmesão, ralado (o parmesão vem da Emilia-Romagna, parma - parmesão...). Rechear, fechar as bordas e assar em forno médio até ficar douradinha como a da foto. Na Itália, versões individuais do erbazzone são consumidas como lanche e como comida congelada. Feito na hora, assim, delícia crocante e quentinha...

domingo, 5 de junho de 2011

Inspiração Oriental

Sábado à noite, assisti um filme em que a Brittany Murphy tenta aprender a fazer lámen, um tipo de minestrone japonês. O filme, The Ramen Girl (esqueci a obviedade que usaram como título na tradução), é uma mistura engraçada de Como Água Para Chocolate (o caldo de Abby faz as pessoas chorarem, como o banquete de Tita) com Tampopo - os brutos também comem spaghetti (um filme japonês nonsense). Abby é uma borderline típica: cruza o mundo atrás de um cara que recém conheceu, não dura mais do que três meses em um emprego, gasta as teclas do celular de tanto importunar o amado, aparece de toalha na rua, no meio de uma discussão. Nos primeiros minutos do filme, empatizamos com o cara que a abandona. A convivência com os japoneses logo exerce efeito calmante sobre ela. Abby aprende a ter paciência, a ser meticulosa, humilde e, o mais importante, admitir a existência do outro como algo independente, separado de seu próprio ser. O dono do restaurante, o mais improvável dos professores, vive processo semelhante: precisa aceitar o desejo do filho de seguir carreira longe do estabelecimento familiar. É interessante assistir sua evolução: da raiva autodirigida, na forma de um beber excessivo, para a raiva dirigida a Abby, que sofre todas as humilhações possíveis e, no fim, à resignação e ao surgimento de um novo caminho. É claro que tantos caldos, algas, cogumelos e legumes bem cortados açularam meu apetite. Enquanto via o filme, cortei repolho, cenoura e cebola, iscas de carne; busquei aipo, cebolinha e acelga no jardim, descongelei umas vagens e salteei tudo no óleo, por ordem de tempo de cozimento, com sal e molho de soja. Não era lámen, mas matou a vontade e manteve a proposta low-carb do meu fim de semana.