Un Giardin sul Balcon

"Non ghe xe erba che la varda in sù che non la gabbia la so virtù" (da tradição vêneta)

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terça-feira, 5 de abril de 2011

Novas Flores Comestíveis


Pois é, pessoal. O outono chegou, o calorão assassino está indo embora e eu já posso plantar novas espécies. Dessa vez, fui em busca de flores comestíveis além da já manjada capuchinha (Tropaeolum majus), que eu adoro e da qual também já semeei novas levas.


A primeira novidade (pelo menos para mim) é a Calliopsis elegans ou Coreopsis. Creio que o nome significa olho belo ou bela visão/olho do carrapato. Olho porque o centro da flor lembra um olho, belo porque é belo e carrapato porque... sei lá, vai ver os bichos gostam de comê-la também. Em inglês, seu nome comum é tickseed. Nada comercial. Calliopsis (Bela vista) é mais apetitoso. Claro que ainda não provei, porque as minhas recém estão germinando. Mas é uma margaridinha selvagem, então acho que vai crescer ligeiro e ligeiro irá para a panela...


A Sweet William (Dianthus barbatus) é essa fofura multicor aí das fotos. Ela é nativa da Europa, aonde cresce nos Pirineus, nos Balcãs e Cárpatos e vai até o sul da Rússia. Uma flor eslava, pode-se dizer. É da família dos cravos, por isso a semelhança com as cravinas, creio eu. Não se sabe bem o porquê do nome, mas há uma história engraçada que o envolve. A Batalha de Culloden, em 1746, foi um episódio sangrento em que os escoceses foram massacrados pelo Príncipe inglês William de Cumberland. Desde então, na Escócia, as sweet william se chamam stinking billys (heheh, billy é o apelido de william, stinking é fedorento, desgraçado). A flor pagou o pato...



Do hissopo (Hyssopus officinalis), eu já falei aqui. É muito difícil fazê-lo crescer e estou na terceira tentativa, mas as moscas brancas são competidoras ferozes na luta por alimento. O hissopo é bíblico e era tido como purificador. Vendo as fotos, eu o acho lindo como a lavanda. Aqui no Brasil, um de seus nomes é justamente alfazema de caboclo (por que seria do caboclo eu não sei).
Essa coisa fofa aqui é a interessante balloon flower (Platycodon grandiflorus) e vem do extremo oriente (Japão, China e Coreia). Sua raiz, chamada de doraji, é uma iguaria da cozinha coreana, mas as flores também são comestíveis. Platycodon vem do grego grande sino, pois essa flor é uma campânula. Antes de desabrochar, ela parece um balãozinho. Imaginem só a alegria da gurizada ao vê-la no prato...

terça-feira, 29 de março de 2011

Il rosolio



Essa é para os amantes das rosas. Como diria Vinícius, uma rosa não é só uma flor, uma rosa é uma mulher que morre de amor. Rosolio é um licor de rosas, tradicional no Sul da Itália, em especial na Sicília. Há uma passagem do livro Il Gattopardo, de Tomasi di Lampedusa, em que a princesa repousa um cálice de rosolio sobre um console e, ao retornar, um ano depois, o encontra no mesmo local. (Não que o licor seja ruim, o príncipe é que manteve intocados os sinais da presença dela). O livro retrata a decadência do estilo de vida da nobreza siciliana no final do século XIX e traz costumes gastronômicos delicados e hoje quase extintos, como os licores e doces de convento. Para bebericar e devanear com os tempos das antepassadas. A foto de época retrata minha tataravó, Angela Fianco, que vivia em Verona à época da trama. Um último detalhe poético: rosolio vem do latim ros oleum (óleo de orvalho), da mesma forma que rosmarino (alecrim) vem de ros marinum (orvalho do mar).


This is for the rose lovers. As the poet Vinícius de Moraes used to say, a rose isn't just a flower, a rose is a lady dying for love. Oh, and I have just recalled another, I think it is Shelley's:


Rose leaves, when the rose is dead

are heap'd for the beloved's bed

and so thy thoughts, when thou art gone

Love itself shall slumber on


This rose cordial, named rosolio (from latin ros oleum - dew oil) awakens the victorian lady in me... it is traditional in South Italy, specially in Sicilia, where a famous writer, Tomasi di Lampedusa, uses an untouched glass of rosolio to simbolize the memory of a loved one. The cordial is deliciously eerie indeed. The woman in the picture is my great-grandmother, Angela Fianco, who has lived in Italy during the times pictured by Lampedusa.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Michel Bras

Essa foi a insalatina que eu jantei ontem, inspirada em Michel Bras, que, na minha opinião, é o cozinheiro que faz os pratos mais bonitos do mundo. Não sei se são gostosos, mas são lindíssimos. E o mais legal é a filosofia por trás deles, o conceito: usar ervas e verduras nativas, fresquíssimas, brotos, flores, explorar o belo e o lúdico do vegetal, muitas vezes relegado ao papel de contorno. Como eu tinha tantas plantinhas para comer, e um pouquinho de cada uma, fiz essa insalatina roxa, usando radicchio, folhas de amaranto, beldroega, brotos de alfafa, estragão, flores de menta, mirtilos e uma conserva que eu faço, de beterraba e cren no vinagre de vinho. Claro que ficou grotesca na comparação com a delicadeza do mestre, mas remete, não remete? Eu sempre sirvo demais, tsc, tsc. Taí um vício de gringa que nem a Escola de Gastronomia conseguiu me tirar.



Yesterday my dinner was inspired on Michel Bras, a French chef which cooks wonderful, colorful (and tasteful, I imagine) dishes based on local herbs and vegetables. The humble insalatina I made had radicchio, purslane, mint flowers, blueberries, amaranto leaves, tarragon and a preserve of beets and cren and wine vinegar. Of course it has not the eerie and perfect looks of the master's, but reminds of it, doesn't it?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Os Nomes dos Zucchini

Taí uma coisa que eu tinha muita curiosidade de experimentar. Meu avô sempre falava disso como uma coisa muito especial, tipo uma guloseima, que sempre que ele achava na horta, juntava um maço e trazia para a minha avó fritar para ele. Bom, mas acho essas frituras meio pesadas. Lá em Bento (e no Veneto), os zucchini se chamam suchète - abobrinha, de suca - abóbora (zucca in italiano) e eu já vi uma variedade de abobrinha soquete, provavelmente uma forma abrasileirada do termo. (Fato bizarro: temos um parente de apelido suca, porque a cabeça dele tem formato de abóbora. Nem sei o nome dele. Fato linguístico: meu pai chamava a gente de sucon - abobrão, quando alguém estava bancando o cabeça-dura). É mais bonita que gostosa, na minha opinião, mas para quem quiser tentar, é só fazer uma pastella com um ovo, sal e pimenta, um pouco de farinha e um pouco de uma bebida gasosa (pode ser cerveja ou água com gás), passar as flores nela e fritar, cuidando para não encharcar.
These are zucchini blossom fritters. Mix a beaten egg with salt, pepper, two spoons full of flour and some beer or sparkling water, dip the flowers in it, deep fry it in sunflower oil. For my nonno, these fritters were a highly appreciated summer treat.