Un Giardin sul Balcon

"Non ghe xe erba che la varda in sù che non la gabbia la so virtù" (da tradição vêneta)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Festival do Espinafre




Minha querida vizinha e mentora, Dona Célia, nos presenteou esta semana com dois maços enormes de espinafre, fresquinhos e orgânicos, vindos de um terreno em plena cidade onde ela cultiva suas hortaliças. Espinafre, eu como cru na salada, misturado a folhas verdes mais neutras, como alfaces de várias cores e, de preferência, apenas refogado com azeite, sal e pimenta. Mas eu andava criativa, pois estávamos estudando massas na escola, então, fiz lasanha de espinafre e queijo samsoe (era o que eu tinha na geladeira, mas ficou bom) e esses gnochetti que tem um nome engraçado: strangolapreti. A tradução seria algo como " esgoela-padre" e, embora a receita varie um pouco, está presente na culinária de toda a Itália: do Trento à Puglia (assim como um certo rancor sublimado pelo clero, creio eu). Acho que o nome se refere à torcidinha que a gente dá no gnocco para finalizá-lo. O segredo dessa massinha é secar MUITO bem o espinafre, espremê-lo com as mãos até cansar e depois ligar com farinha de trigo q.b. Na hora de ferver, eu ponho na maior panela possível, uns poucos por vez, para evitar que grudem. Depois de prontos, é só finalizar com manteiga de sálvia (outro produto do meu jardim) e flores, claro. Vcs não acham que o espinafre e o queijo desenharam um padrão que remete aos céus de Van Gogh? (Talvez seja eu, romantizando a comida de novo).

Minhas flores no jornal!





Olhem só que honra: um dos meus professores usou as flores que levei para a escola em uma série de pratos alusivos ao filme Comer Rezar Amar, em cartaz nos cinemas: Em homenagem à Índia, um frango tandoori com pão chapati (decorado com as flores do manjericão) e, como referência à Indonésia, um sorvete de coco com geleia de pimenta, decorado com as minhas capuchinhas, borragens e endro fresco. Não é o máximo o senso estético dele? A reportagem será publicada no Pioneiro (Jornal de Caxias do Sul) em 23-out-2010.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Regras da comida (Michael Pollan, 2009)

Regra 62: Plante uma horta, se tiver espaço, e uma jardineira na janela, se não tiver.
" O que cultivar um pouco da própria comida tem com consertar sua relação com a comida e com o ato de comer? Tudo. Participar dos processos interessantíssimos e intrincados de assegurar a própria alimentação é a forma mais segura de fugir da cultura do fast-food e dos valores nela implícitos: de que a comida deve ser barata, rápida e fácil; de que a comida é um produto da indústria, não da natureza; de que a comida é um combustível, não uma forma de comunhão com outras pessoas e também com outras espécies - com a natureza. Num nível mais prático, você comerá o que a sua horta produzir, que serão os hortifrutigranjeiros mais frescos e nutritivos possíveis de obter; você se exercitará cultivando-a (e sairá ao ar livre, para longe das telas eletrônicas); poupará dinheiro (segundo a Associação Americana de Jardinagem, um investimento de 70 dólares numa horta rende 600 dólares de alimento), e a possibilidade de você seguir a regra 63 ('cozinhe') aumentará em igual proporção.

domingo, 3 de outubro de 2010

Ideias para quem tem pouco espaço











Falta de espaço não é desculpa para cultivar as próprias ervas frescas, mesmo que apenas as essenciais: salsa, cebolinha, manjericão e menta. O único cuidado deve ser o plantio dessa última dentro de um vasinho de plástico. Suas raízes são invasoras e matam eventuais companheiras de jardineira.




sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Flores Comestíveis - Rúcula


Eis uma agradável surpresa: a maioria das pessoas se livra das rúculas florescentes, pois a produção de folhas de uma planta madura não é significativa. Pois bem: as flores tem um sabor mais picante e interessante que a própria folha e harmonizaram muito bem com essas farfalle com carne e cominho que fiz uma noite dessas. Recomendo fortemente experimentar. Só vale deixar algumas no pé, a fim de que a rúcula (Eruca sativa) possa se semear de novo.

anis e hissopo


Desta vez vai. Meu anis (Pimpinella anisium) e meu hissopo (Hyssopus officinalis) estão se comportando bem, sem sinais de morte iminente. Mal posso esperar pelos licores.

Primavera, tempo de semear


Com a chegada da primavera, minha estação preferida, chegou o tempo de semear: com a chuva, aproveitei para plantar manjericão gigante, estragão, kummel e agrião da terra. Ganhei ainda uma muda de papoula da minha adorável vizinha, a Dona Célia. Sementes de papoula à vista, eeeee.

Flores Comestíveis - Borragem


Em seu livro Escoffianas Brasileiras, o chef Alex Atala usa e abusa das flores de borragem (Borago officinalis) como decoração, o que não é lá tão brasileiro assim. A borragem é uma planta européia, com lindas e raras flores azuis, com um intrigante e refrescante sabor de pepino, mas que murcham muito rapidamente. As folhas da borragem podem ser empregadas como espinafre, refogadas com um mínimo de líquido, por um mínimo de tempo e temperadas com limão, azeite verde e pimenta moída na hora. As flores vão bem em doces e saladas, mas não é muito fácil encontrar as sementes por aqui. Gelo com flores de borragem é um lindo enfeite para sucos de verão ou chás gelados. Manteiga de borragem é um bom jeito de conservar e transportar seu sabor.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

flores comestíveis - calêndula







Flores são lúdicas. As calêndulas ficam picantes demais com o miolo, mas fazem um contraste interessante com um molho escuro, como o de funghi, por exemplo. Dá para despetalar sobre o prato. Outra opção é secá-las e depois moer. Faz um corante da cor do açafrão (sem o aroma, é claro). Querendo, dá para secar as flores em sílica gel e usar num pot-pourri. A calêndula (Calendula officinalis) é usada desde os tempos dos romanos como corante e como creme cosmético (olhando o rótulo de um creme hidratante, ela sempre está lá). Frita em pastella, inteira, é um petisco interessante. Um truque para quem pretende cultivar: podar as flores já murchas estimula a brotação de novas flores.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vinagres Aromáticos


Como transportar o cerefólio, que rapidamente murcha e perde o aroma? Como ter o endro à disposição para um court bouillon de peixe? Resposta: conservando-os em óleo ou em vinagre. Uma vez que a minha produção caseira de vinagre se restringe ao vinho tinto (por enquanto, pois pretendo ampliar para vinagre de chardonnay, de champagne, de folha de parreira e de maçãs e peras), comprei o melhor vinagre que encontrei no supermercado e fiz estas gracinhas aqui. Depois de duas semanas, seu aroma está fantástico e a humilde alface ganhou perfumes de festa. Aberto, é melhor conservar o vinagre na geladeira.